segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Um inteiro sem metades.


Nunca tive certeza de muitas coisas. mas tinha algo que sempre soube. nunca fui uma mulher de metades. nunca soube sorrir de algo meio engraçado. nunca fui metade de alguém. nunca tive meio amigos. nunca gostei de meio tom. nunca ouvi metade de uma música. nunca senti meio amor.
Toda vez que me apixonei foi algo grandioso. e por isso toda vez que alguém me traiu. de alguma forma. namorado. amigos. primos. irmão. programas. compromisso. promessas. a ferida foi inteira. e doeu. e chorei. e passei noites achando que ia morrer. não morri. mas nunca esqueci. não fingi que nada tinha acontecido. porque não sei ser só meio sincera. tampouco digo meias verdades. por isso sou nervosa. sou estourada. sinto a dor de alguém que amo. como se fosse minha. sinto a raiva de um amigo. como se a briga fosse comigo. deixo de comer pra não ver algum amigo com fome. acordo de madrugada. ou não durmo. pra não deixar um irmão sozinho. vivo relações que não são minhas. porque no fundo fazem parte de mim. sorrio de histórias da qual não fiz parte. comemoro vitória de amigo meu. e fico feliz. a minha maior alegria. é ver alguém que amo alegre. e ponto. talvez vírgula. não tenho certeza. lembro de alguns dias. em que jurei amor eterno. e alguém foi embora. disse que não estava preparado. outras vezes me desfiz de sobrenome. ou sangue. só pra dizer que outra pessoa. era minha família. nunca tive códigos. sempre deixei as portas abertas. minha casa tinha um nome. mão joana. ou tia fulana. não importa. lavei minha alma de preconceitos. mas mesmo assim não entendi nada. porque algumas pessoas deram de costas. fecharam os olhos. e a boca. não penso que fui eu. porque fiz tudo. e mais. não é exagero. nem piedade. é pura. e simples. verdade. inclusive acreditei que podia ser de outro planeta. será que o erro é meu? pode ser. afinal nem todos são inteiro. alguns são meio amigos. e te chamam de colega. outros são só de uma cor. e eu gosto de colorido. tem gente que acredita que não vale a pena. eu desmenti essa verdade. penso em um todo. mesmo que seja só meu. pegaria ônibus. avião. metrô. só pra dizer oi. e sinto saudade. de outros que eram conhecidos. não tenho idéias. nem sou sempre legal. acho que as melhores pessoas são cruas. e algumas vezes se contradizem. mas ninguém é perfeito. não digo que sou. mas não sei fingir. minha vida é uma peça. baseada em fatos reais. e quando invento coisas. elas se tornam carnais. meu abstrato é tão palpável. e mais uma vez digo. repito. interpreto. traduzo. abduso. e convido. sou eu. prazer é meu.

9 comentários:

minicontosperversos disse...

muito prazer.

seja inteira mesmo. mostre o rosto.

Antunes Ferreira disse...

LISBOA - PORTUGAL

Olá!

Cheguei a este blogue através de outros que costumo visitar e neles postar comentários. Cheguei, vi e… gostei. Está bem feito, está comunicativo, está agradável, está bonito – e está bem escrito. Esta é uma deformação profissional de um jornalista e dizem que escritor a caminho dos 67…, mas que continua bem-disposto, alegre, piadista, gozão, e – vivo.

Só uma anotaçãozinha: Durante 16 anos trabalhei no Diário de Notícias, o mais importante de Portugal, onde cheguei a Chefe da Redacção – sem motivo justificativo… pelo menos que eu desse com isso… E acabo de publicar – vejam lá para o que me deu a «provecta» idade… - o me(a)u primeiro livro de ficção «Morte na Picada», contos da guerra colonial em Angola (1966/68) em que, bem contra vontade, infelizmente participei como oficial miliciano.

Muito prazer me darás se quiseres visitar o meu blogue e nele deixar comentários. E enviar-me colaboração. Basta um imeile / imilio (criações minhas e preciosas…) e já está. E se o quiseres divulgar a Amiga(o)s, ainda melhor. Tanto o blogue, como o imeile, tá? Muito obrigado

www.travessadoferreira.blogspot.com
ferreihenrique@gmail.com

Estou a implementar e desenvolver o projecto que tenho para o meu www.travessadoferreira.blogspot.com e que é conferir ao meu/vosso/NOSSO blogue a característica de PONTO DE ENCONTRO entre os Países fraternalmente ligados – Portugal e Brasil. E outros PALOP e etc…
Se me enviares o teu IMEILE, poderei enviar-te «coisas» que ache interessantes. Se, porém, não as quiseres, diz-me que eu paro logo. Sou muito bem-mandado (a minha mulher que o diga…) e muito obediente (cf. parênteses anterior). Abrações e queijinhos, convenientemente repartidos e distribuídos

– Desculpa por este comentário ser tão comprido e chato. Como a espada do D. Afonso Henriques…
- Já conheces o me(a)u «Morte na Picada» que acima menciono? Há quem diga que é muito bom. E até que é o melhor que se escreveu em Portugal sobre o tema. Dizem… Obviamente que não sou eu a dizê-lo… Só faltava… E também há quem tenha escrito que é SANGUE & SEXO… Malandrecos… Pelo sim, pelo não, compra-o.
Depois de o leres, se, por singular acaso, tiveres gostado dele, terás de comprar muitíssimos mais exemplares. São excelentes prendas de aniversários, casamentos, divórcios, baptizados, e datas como Natais, Carnavais, Anos Novos, Páscoas, Pentecostes, vinte e cincos de Abris, cincos de Outubro, dezes de Junhos. Até para funerais. Oferecer o «Morte» na morte fica bem em qualquer velório que se preze. E, além disso, recomenda-o, publicita-o, propagandeia-o, impinge-o aos Amigos, conhecidos, desconhecidos & outros, SARL. Os euros estão tão raros e... caros...
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A editora da obra é a Via Occidentalis (occidentalis@netcabo.pt) cujo site é www.via-occidentalis.blogs.sapo.pt. Neste blogue podem ser consultados mais dados sobre o livro, cujo preço de capa é € 14,70. ATENÇÃO: Pode ser comprado pela Internet.
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NOTA IMPORTANTE: Este texto de apreciação e informação é similar em todos os casos em que o utilizo. Digo isto, para quem não surjam dúvidas ou suspeitas sobre a repetição em diferentes blogues. E para que ninguém se sinta ludibriado – ou ofendido… Há feitios que… Mas, sublinho, apenas o uso quando o entendo, isto é, quando gosto mesmo dos que visito. Nos outros onde também vou, se não gosto, saio sem comentários. Há muitos mais. Aqui na terrinha diz-se que «se não gostas, põe na beirinha do prato…»

Guru Martins disse...

Belos contos!
Seja bem-vinda ao Balaio

Grande abraço!

Dani disse...

A vida é dos inteiros.

Camilla Tebet disse...

Também odeio meios.. meias verdade, meias mentiras.. é como estar meio grávida, não há! Inteiras venceremos.
"...inclusive acreditei que podia ser de outro planeta. será que o erro é meu?".
O erro é de todos nós, os da coluna dos inteiros, os da coluna do meio e todos os outros. vamos errando, acertando, cada um no seu mundo.

Xavier disse...

ser quem é e deixar de ser
metade apenas
apenas ser de quem se quer ou
mesmo da gente
ser total
ser e ser
difícil arte recompensadora

e o prazer é meu também...

um abaço, Jaque.

R. disse...

Carpe diem agressivo, sempre recomendei. Receita de vida boa. Faz muito bem :)

Bjs

Elcio Tuiribepi disse...

Olá...passando em outro blog cheguei até aqui, e o seu texto prendeu minha atenção, pois essa coisa de não ser inteiro mexe comigo, ser metade é complicado e quando realmente me interesso por algo, a vontade é uma só...ser inteiro...parabéns pelo blog e pelos seus textos, o do perfil lembrou o meu...abraço na alma

Elcio Tuiribepi disse...

EU POEMA
SOU UM POUCO DE TUDO
SOU UM RASO TÃO FUNDO
SOU IMENSO E INTENSO
SOU VAZIO, SOU DENSO
SOU DO MUNDO POEMA
SOU DE VERSOS REVERSOS
SOU ESPAÇO DE SOBRA
SOU A SOBRA DA FESTA
SOU A LUZ QUE AINDA RESTA
SOU UM POUCO DE VENTO
SOU MORMAÇO E RELENTO
SOU A CHUVA E A BRISA
SOU A SOMBRA PRECISA
SOU UM RESTO DE BRUMA
SOU DO MAR A ESPUMA
SOU DE MIM MULTIDÃO
SOU TAMBÉM SOLIDÃO
SOU A VOZ DO SILÊNCIO
SOU DA ALMA TERNURA
SOU A PLENA BRANDURA
SOU FRACO, SOU GENTE
SOU FORTE E ARDENTE...e por aí vai, achei pareciso com o do seu perfil...Outra coisa...seu comentário lá no verseiro parece um poema...coisa de quem sabe...vai fundo menina1!