domingo, 28 de setembro de 2008

o que você quer?

Ela olhava. pela janela. pela porta. pela fresta. pelo buraco. até que descobriu. pra sentir saudade. nem sequer precisava andar. bastava permanecer. no mesmo lugar. no mesmo ponto. que antes parecia inatíngivel. mas não. não era. ela era atingida por tantas coisas. tantas pessoas. tanto dela mesma. havia algum tempo em que só falava dela. da sua história. dos seus textos. dos livros que havia lido. na verdade. a mais pura. a mais sincera. era que não era ela. eram as coisas. e eram as pessoas. não tinha planos dela. tinha história. mas não era só dela. e isso a tornava na verdade. a única contada por um qualquer. ela era planos de outrora. vida de alguém. palavras copiadas. frases em forma de clichê. medos de vizinhos. músicas da moda. roupas de amigos. não deveria. mas. não tinha porém. nem todavia. era isso. e pronto. acabou. por pouco não acabava. continuava. permanecia. interpretava. deixava as coisas pra lá. até que passassem. e ela enfim. pudesse esquecer. às vezes tinham recaídas. e lembrava. até molhar o rosto. e dormir novamente. era assim. sonhava o que era real. porque se fosse ela. não faria daquele jeito. tampouco diria aquelas coisas. teria ido embora. se não fosse suas adversidades. não gostava de tudo. mas acabava amando. por pouco não fugiu. mas ela. de que fugiria. talvez de si mesma. ou do que fazia parte dela. e era assim. até ouvir a campainha.
-Quem é?
-Sou eu, a Valerie.
-Ah tah. entra.
-Oi. tudo bem?- Valerie.
-Sim. o que você quer tomar?- Ela
-Por que pergunta o que eu quero?- Valerie.
-Porque você escolhe. e eu pego pra nós duas.- ela.
-Escolhe você- Valerie.
-Não sei escolher o que eu...
-Não precisa ser sempre tão receptiva. escolha o que você gosta. isso não vai me fazer te odiar. -Valerie.
-Não é isso. Tô acostumada.- ela.
-Como. não pode ser. você não precisa disso. tornar as pessoas dona de sua vida. essa coisa toda não precisa existir. você era forte.
-Fui sempre igual.- ela.
-E eu não percebi. essa sua forma de se anular com classe. não vale. não tem graça.-Valerie.
-Não precisa rir. nunca fui boa com piadas.- ela.
-Eu sempre gargalhei muito com você.-Valerie.
-Pode ser. não sei.
-É sempre assim. você quer água. mas toma conhaque. porque eu estou com vontade. pára. você já parou pra pensar que as suas escolhas importam mais. principalmente pra quem você ama.-Valerie.
-Estou bem assim. já abri mão de coisas demais. pra voltar átras. e depois me lamentar. que papo idiota.
-Do que você quer falar?- Valerie.
-Do que você quiser...


P.s:
Tentei me afastar. mas deixar as palavras guardadas. as idéias adormecidas. não. não era assim que as coisas deveriam funcionar. tantas vezes me ausentei. talvez de mim mesma. mas isso faz parte de tudo. é como se eu tivesse trancado meu
refúgio.escrever é meu dialógo predileto. por isso voltei. e não quero mais partir. vou ficar por aqui.

3 comentários:

alexandre guardiola disse...

angustiante,guria.

Alexandre Henrique. disse...

Adorei a :) sua volta :*

Você trouxe um conto, e que conto especial, este, o do desejo. Um encontro de uma alma só, fantástico, como uma personagem falando com seu sonho, e como um perfume que não sai do corpo dela.

Bom eu amo este teu jeito de escrever tem um ritmo lindo, vc segura o foco e depois espalha em uma conclusão que leva a outro foco É lindo isto!! E causa um suspense tremendo, tirando que é de uma liberdade, sem palavras, para descrever.

Beijos,
Alex.

Xavier disse...

Não vá.
Não podes ir.
A palavra é uma cela.