terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

efeito colateral

nas entrelinhas tortas. discordava. os contratempos viravam passatempo. e ela pequena de grande. se acostumava. era um efeito colateral. a forma como sentia desejo carnal. agora crescia dentro dela. e numa mesa de bar. ao se levantar. foi encontrar. alguém que nem sabia quem. foi uma. duas. três. quatro. cinco tequilas. até que ela se deixasse levar nos braços dele. sem balbuciar. nem dizer nada. foram até o carro parado na esquina do lado. ele a tomou por inteiro. sem que ela pudesse sentir. esse era um dos efeitos do agora que ela vivia. desejava. mas não sentia. era descartável qualquer envolvimento. que sempre passageiros. não deixavam lembrança. a mulher chegou em casa com os sapatos nas mãos pra não fazer barulho. a maqquiagem borrada. o cabelo dessarumado. o vestido meio aberto. não gostava mais do rumo que tomava. se sentia tão suja. e inanimada. como podia. como queria. como seria. deveria parar de tomar aqueles remédios. um deles era pra evitar o amor. outro para evitar aproximação. outro era para evitar saudade. e o último era para que não sentisse dor. agora ela queria interromper os tratamentos. e ter o efeito desfeito. queria poder sentir. queria poder ter saudade. queria até mesmo ter dor. porque assim se sentiria viva. numa entrega desmedida. num caminho sem saída. podia ficar presa dessa vez. mesmo que errasse de novo. mesmo que tomasse o mesmo rumo. mesmo que chorasse. mesmo que desacreditasse. porque não queria mais ser sozinha. mais que ser dela. queria mesmo. era ser de alguém...

P.s: PLEASE, JUST A HISTORY!!!

2 comentários:

Docinho disse...

vc pode até tentar
mas não consegue evitar o amor por muito tempo
:P


bjinhos docinhos

Letícia disse...

Não adianta muito, Jaque. Muitos ainda vão ler seus textos como se fossem autobiográficos. Mas é só segurar as pontas e seguir. Eu vi que o medo nos impede de viver. Remédios inibem nossa essência e deixamos de sentir tudo em plenitude. Isso sim.

Bjos.