terça-feira, 17 de junho de 2008

Baseado em fatos reais!

Ontem passei por uma situação chocante. sim, a palavra é chocante.
vivemos num mundo egocêntrico. é fato. mas a indiferença presente nesse contexto é absurda. sim, a palavra é absurda. estava eu entrando numa igreja para ir a missa. mas ali na porta me deparei com um garoto. um menino de rua. sujo. negro. e magro. acho que só em fotos africanas que relatavam a miséria tinha visto uma pessoa tão magra. as pernas dele pareciam quebrar a qualquer passo mecânico dado por ele. cheguei mais perto. e perguntei?
-Ei, você está com fome?
-Tô sim.
-Quer comer alguma coisa?
O garoto abaixou os olhos, pensou e disse:
-Quero.
Fomos até um lugar reservado para a burguesia. chegando lá, o garoto despercebido até aquele momento, se tornou o alvo de todas as atenções. as pessoas o apontavam com pavor.
-Quero uma coxinha!
-E pra tomar?
-A tia, num quero nada não.
a atendente, como se fosse superior, guardava o salgado escolhido num saquinho para viagem. aquele garoto não poderia comer ali, no meio dos escolhidos. ordenei que colocasse num prato, ele comeria ali. sentamos numa mesa. aguardamos o suco que escolhi pra ele. depois de terminar de comer, fomos até os doces e pedi que ele escolhesse um. ele escolheu uma bomba. no momento, imaginei as bombas no sentido literal. aquelas que destroem povos e sonhos. pedi duas para que ele levasse embora. fiquei na fila para pagar. uma senhora bem arrumada. traços de elite. maquiagem. e uma bolsa dessas que valem mais do que um salário mínimo.
-Você está patrocinando esse garoto?!
-Não. as pessoas passam por ele. parecem não o ver. eu o vi. e não estou oferecendo dinheiro. ofereço comida.
-Nossa mas ele precisava escolher aqui?(como se aquele lugar fosse exclusivo para quem ganha mais do que dez salários por mês).
-Eu quis o trazer aqui.
-Sinto medo desse tipinho de gente.
ela se virou. e simplesmente me ignorou. era como se eu fosse uma traidora daquele mundo exclusivo. daquele mundo oligárquico. mas eu não era. eu era a diferença desprezada pelos indiferentes.

4 comentários:

Camilla Tebet disse...

POis que encontro alguém que se indigna com essas cenas todos os dias. Como passar por alguém com fome e fingimos não ver não é? Como passarmos com alguém com frio, deitado no chão e não darmos uma agasalho? Concordo com vc em gênero, número e grau. Perdeu-se o amor quando o homem deixou de ver o que está ao seu lado para imaginar que está abaixo de si.
Que nunca percamos o poder de indignação com cenas como essas e que sempre que pudermos dar comida, alimentemos o que de nós é igual, apenas com menos oportunidades.
Adorei o que vc fez e temos mesmo que fazer sempre que pudermos> E quando não pudermos também, pois só assim as BOMBAS poderão ser, um dia, quem sabe, apenas doces nas vitrines.
Parabéns pelo seu ato. E obrigado por compartilhar.

Beto Mathos disse...

Como já disse o grande poeta: "Vamos pedir piedade, Senhor, piedade! Pra essa gente careta e covarde."
Continue assim, escreva alto e em bom som.
Beijo!

Camila disse...

Não tem o que falar sobre essa situação. é a situação do dia-a-dia de todos, idignação? Acho que é a palavra certa, mas o que podemos fazer? essa é a pergunta de todos. Podemos fazer, e fazer muito! Depende de pessoas assim como você Jaque que com certeza tbm pode ter medo, mas sabe que não existem só criminosos nas ruas, e a criminalidade vem desse tipo de situação, a FOME!
Seu gesto vou totalmente indiscritível!
Deus te dará em dobro!
Beijos..

Ju disse...

Aii jackkk eu naum quero acreditar no q aconteceuuu meu Deusss que mundo é esse???!!!!! QUE BOM QUE EXISTEM PESSOAS COO VOCÊ. que bom q Deus pois vc no caminho desse garoto.Não é possivel jack q isso tenha aconteecido.Imagino a dor qeu vc deve ter sentido,eh como uma facada no peito.E o que dói mais é saber que existem muitos garotos como esse, e mais ainda senhoras como akela.
Que cada um faça sua parte assim como vc fez.
te amo mais aindaaa
bjão jackk