sábado, 9 de agosto de 2008

End.


minha alma se situa num lugar fora de mim mesma. é como se por um momento não quisesse ser eu. e isso me torna melancólica e solitária demais. eu que sempre achei que só. não era sozinha. mas me enganei. dessa vez sinto informar. mas meu coração será guardado em uma gaveta qualquer. acho que ele precisa de férias. as emoções estão sendo fortes demais. ele me disse que não suporta. recentemente me deparei com um fato. sim, um acontecimento. uma verdade. ou uma mentira sincera. não importa. só sei que agora observo. meus olhos me mostram coisas que antes não podiam ver. minhas mãos tocam objetos que outrora pareciam não existir. a morte tocou a campanhia de casa. estava bem vestida. terno alinhado. talvez tivesse um estilista famoso. ou talvez quisesse parecer melhor. mas não era. tentei impedi-la de entrar. mas ela insistiu. cheguei a ter pena. ofereci um café. ela me disse que preferia conhaque. precisava relaxar. essa coisa de avisos. esse monte de lamantos era ruim. sim, foi essa a plavra. ruim. perguntei o por que da visita. eu estava viva. e as pessoas que me importavam também. ela me disse se poderia fumar. acendemos um cigarro.
-Sinto lhe informar, mas preciso levar alguém.
-Mas eu ainda sou jovem. tenho coisas pra viver. a senhora não acha injusto demais...
-não. ainda não é você que foi convocada pro time das almas.
-ahhh. fico aliviada.
-queria te preparar. porque o grande amor de sua vida irá comigo em breve.
-em breve. não. impossivel. temos uma viagem marcada pra daqui uns meses.
-é melhor não irem. acho que não vai dar tempo.
-a senhora entra em minha casa. senta em meu sofá. toma o meu conhaque. e ainda quer levar de mim um amor.
-me desculpa. não queria ser um importuno.
-vá embora agora. e não ouse aparecer de volta.
-tudo bem. mas é melhor se preparar.
-me leve junto então...
-ainda não.
-se levar o amor da minha vida. não tenhop razões pra ficar.
-tchau.
saiu de minha casa. deixou alguams lágrimas de presente. e um pouco de pavor. precisava correr. era questão de tempo. era motivo de vida. ou melhor de morte. encontrei ela. minha tia estava sentada num banco desses de jardim. sorriu ao me ver chegar. eu simplesmente a abracei. senti um alivio por vê-la mais uma vez. ela me segurou nos braços como antes. acariciou meus cabelos. e me pediu pra sorrir. queria poder contar aquele segredo. falar sobre aquela visita. mas quando ela me falou dos planos que havia feito. das coisas que ainda esperava fazer. não tive coragem. ao anoitecer cheguei em casa sozinha. despedi minha alma. e guardei meu coração.

4 comentários:

Camilla Tebet disse...

PUTZ, o texto é lindo e no meio vai dando uma curiosidade pra saber quem é que vai morrer. Mas termino sem saber. Deixa essa porta bem fechada, menina! Tranca!

Rico B. disse...

Hehehe. nada como aguçar a curiosidade e deixar em aberto a possibilidade do óbvio. baca seu texto. Obrigado pela visita!

Alexandre Henrique disse...

Sem um coração, a alma não pode encontrar o seu caminho, a morte não quer a alma, apenas o coração. Às vezes a vida de um amor verdadeiro é complicada.

Anderson Cádor disse...

Atrever-se também é sinal de espera. Ser ousado é também saber esperar.

Gracias...
Continuemos...

Cádor
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