sábado, 27 de março de 2010

Essa vida...

Resta pouco tempo para todas as outras coisas. Isto é um fato. estamos presos ao tempo. Isto é outro fato. e passamos por tanta coisa. conhecemos pessoas. sentimos.

falta de amor. viagem sem volta. essas coisas marcam as pessoas. e tudo o que parece certo. fica imperfeito. dolorido. mas aprendi que todo sentimento é bem-vindo. é secreto. e a gente sente sozinho. às vezes a gente ri por fora e chora por dentro. e tudo parece normal. mas o tempo passa e a gente aprende. supera.

quanto aos amores que a gente tem na vida. um amor chega devagarzinho na nossa vida. e nos faz acreditar em tudo de novo. e com paciência esse alguém que ama de verdade espera por você. seu tempo. seu medo. você. não importa se você tenha desistido dessa coisa de ter alguém. você faz jogo duro. diz que não acredita mais em promessas de amor. e que sua vida é ser assim. sozinha. mas aí o tempo passa mais um pouquinho. e esse alguém acaba te encantando pelo jeito que fala. pela camisa pra fora da calça que usa. pelo cabelo desarrumado. pelos telefonemas de madrugada. pela preocupação que tem por você. por lembrar daquele chocolate que você comeu uma vez e gostou. aprendi que a vida é relativa. e pode ser intensa. é relativo porque. o que é bom pra mim. pode não ser pra ele.pra ela. pra você. é relativo porque sentimentos dependem de quem. e do que. é relativo. porque cada coisa tem seu jeito. é relativo porque pra sempre. pode ser até breve. é relativo porque a gente se confunde o tempo todo. é relativo porque cada um tem um tempo. é relativo porque é incerto. é relativo porque apenas alguns sortudos encontram a pessoa certa de cara. enquanto isso a gente vai tentando. e amando se apaixonando.

quanto as viagens sem volta. isso dói. porque quem vai não volta. e esse tipo de coisa é insubstituivel. a gente sabe que morre. mas não aprende a encarar perdas. ninguém ensina isso na escola. nem na vida. e aí sem mais nem menos. acaba. um ponto final numa história cheia de vírgulas e continuidades. e a gente aceita. em partes. todas as manhãs ao acordar você vai pensar nela. e vai chorar escondido. e vai sentir saudades. e vai lembrar das coisas que ela gostava. e vai continuar esperando ela aparecer de surpresa. e vai sonhar com ela. e vai comprar um presente de aniversário pra ela. e vai olhar as fotos uma,duas...dez mil vezes só pra ver ela sorrir de novo. e aí você percebe que ela vai estar em você pra sempre. em qualquer coisa que faça. com qualquer pessoa que ande. em cada lugar novo ou velho que você pisar. e tudo isso dói. dói não tocar nas mãos pequenas dela. dói não ouvir ela falar por horas. dói não ver ela sorrir. dói não poder abraçar. beijar. ficar em silêncio com ela. dói tudo isso. porque amor de mãe é pra sempre. e ninguém muda isso.

Existem três tipos de amor.
Amor de sangue. é o único que é pra sempre. eterno. insubstituível. companheiro. permanente.
Amor de amigo. não de colega. amigo você encontra um ou dois. se tiver sorte. encontra três. esses são aquelas pessoas que falam verdades pra você. que te acompanha no momento mais terrível da sua vida. que dá um milhão de risadas ao seu lado. que não se importa se você é rico ou pobre. amigo de verdade são poucos. acreditem. não existe uma turma de amigos. podem ser colegas. mas não amigos.
Por fim, tem o amor de relacionamento. homem mulher. essa coisa de pele. planos. e intensidades. esse amor é relativo. depende de quem. como. quando. este a gente passa a vida toda vivendo ou procurando.

terça-feira, 23 de março de 2010

Já não dormia mais de noite. e bem pouco de dia. cansava às vezes. mas depois esquecia e continuava. a vida da menina de anel nos dedos. e tiara na cabeça. era assim. meio cheia de coisas mesmo. pessoas iam. depois voltavam. ou ficavam. ela se acostumou com os passageiros do seu caminho cheio de mata e pedregulhos. um dia chovia. depois fazia sol. confundia todas as coisas. de tanto assunto que tinha. de tanta gente que partia. e tanta coisa que sumia.

ahhh! se vocês soubessem das novidades...

Outra hora a menina conta!

sexta-feira, 5 de março de 2010

Martha Medeiros

Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir. Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar. Acordo pela manhã com ótimo humor mas ... permita que eu escove os dentes primeiro. Toque muito em mim, principalmente nos cabelos e minta sobre minha nocauteante beleza. Tenho vida própria, me faça sentir saudades, conte algumas coisas que me façam rir, mas não conte piadas e nem seja preconceituoso, não perca tempo, cultivando este tipo de herança de seus pais. Viaje antes de me conhecer, sofra antes de mim para reconhecer-me um porto, um albergue da juventude. Eu saio em conta, você não gastará muito comigo. Acredite nas verdades que digo e também nas mentiras, elas serão raras e sempre por uma boa causa. Respeite meu choro, me deixe sózinha, só volte quando eu chamar e, não me obedeça sempre que eu também gosto de ser contrariada. ( Então fique comigo quando eu chorar, combinado?). Seja mais forte que eu e menos altruísta! Não se vista tão bem... gosto de camisa para fora da calça, gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço. Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto: boca, cabelos, os pelos do peito e um joelho esfolado, você tem que se esfolar as vezes, mesmo na sua idade. Leia, escolha seus próprios livros, releia-os. Odeie a vida doméstica e os agitos noturnos. Seja um pouco caseiro e um pouco da vida, não de boate que isto é coisa de gente triste. Não seja escravo da televisão, nem xiita contra. Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai. Escolha um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o invente muitas vezes.

Me enlouqueça uma vez por mês mas, me faça uma louca boa, uma louca que ache graça em tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca ... Goste de música e de sexo. goste de um esporte não muito banal. Não invente de querer muitos filhos, me carregar pra a missa, apresentar sua familia... isso a gente vê depois ... se calhar ... Deixa eu dirigir o seu carro, que você adora. Quero ver você nervoso, inquieto, olhe para outras mulheres, tenha amigos e digam muitas bobagens juntos. Não me conte seus segredos ... me faça massagem nas costas. Não fume, beba, chore, eleja algumas contravenções. Me rapte! Se nada disso funcionar ... experimente me amar!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Luzia


É tão estranho/Os bons morrem jovens/Assim parece ser/Quando me lembro de você/
Que acabou indo embora/Cedo demais/Quando eu lhe dizia:/"- Me apaixono todo dia
E é sempre a pessoa errada."/Você sorriu e disse:/"- Eu gosto de você também."
Só que você foi embora cedo demais/Eu continuo aqui,/Com meu trabalho e meus amigos
E me lembro de você em dias assim/Um dia de chuva, um dia de sol/E o que sinto não sei dizer/Vai com os anjos! vai em paz/Era assim todo dia de tarde/A descoberta da amizade/Até a próxima vez/É tão estranho/Os bons morrem antes/Me lembro de você
E de tanta gente que se foi/Cedo demais/E cedo demais/Eu aprendi a ter tudo o que sempre quis/Só não aprendi a perder/E eu, que tive um começo feliz/Do resto não sei dizer/Lembro das tardes que passamos juntos/Não é sempre mais eu sei/Que você está bem agora/Só que este ano/O verão acabou/Cedo demais/
(Love in the afternoon- Renato Russo)

Você faz tanta falta aqui Tia Lú...

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Maria e João

Era o sétimo filho de João e Maria. não bastasse isso. tinha vindo fora de época. cresceu sozinho. sem muitos amigos. dentro do barraco de madeira. na periferia do Rio de Janeiro. Estudou só até a quarta série. e logo começou a trabalhar. a mãe que era cozinheira de uma família rica. e o pai que era porteiro de um prédio no Leblon. nem percebiam no que ele se transformava. no meio do seu novo emprego. era conhecido como bolinha. não porque fosse gordo. mas por ser tão magro e ter pernas finas. avião. era esse o seu cargo. subia aqueles degraus turvos dia e noite. ganhava alguns trocados. depois dava um tapa de noite. nunca fora pego. e sempre quis ser como o chefe. esse era moreno. alto. e forte. conhecido pelo nome de O grande. era temido. e tinha algumas mulheres.
- Pô Grande, quero ser assim, como você!
-Tá querendo me tirar da parada muleque?
-Não... não...sou brother, mano!
Foi assim que ele cresceu. sem muitos sonhos. mas com um projeto. seria o chefe um dia. conhecia todos os rivais. e sentia ódio deles. mesmo sem nunca ter visto nenhum de perto.
alguns anos passados. agora bolinha já era segurança do chefe. cuidava dos embaladores. quem não ficasse esperto. tomava uma bala. na cabeça. ele parecia não ser gente. não tinha pena. não tinha laços. tinha algumas paixonites. mas nada demais. tivera quatro filhas. antes mesmo de completar vinte e um. a mãe agora aposentada. pedia. implorava. para que ele procurasse emprego. assinasse carteira. saisse daquela vida. mas ele era bom naquilo. não sabia fazer mais nada. ou pelo menos acreditava nisso.
- Bolinha, te prepara, amanhã vai ter festa no morro.
-Sussa brother...eu apareço.
a festa não era funk. nem envolvia pessoas felizes. dançando e cantando. falavam de tomar o ponto da esquina de baixo. que era usado para a venda de drogas. e estava tomado pelos alemães. seria uma guerra. perigosa. e estava sendo planejada há algumas semanas. o horário marcado era às onze. e Bolinha. começou a se preparar. primeiro comeu um prato de arroz feijão. com um grande ovo em cima. depois colocou a bermuda azul já desgastada. pegou Mariana. sua arma de estimação. colocou um boné vermelho. e foi. cheio de si. sem medo. nem receio. seria rei naquela noite. comandaria tudo.
o tiroteio começou na hora marcada. as pessoas que estavam no bar do mineiro. que era na frente da tal esquina. começaram a correr e se abaixar. os alemães não tiveram muita reação. foram pegos de surpresa. e estavam em número menor. a conquista foi mais fácil do que havia imaginado. logo que percebeu a desistência do adversário. subiu na mesa. e gritou que era rei.
-O ponto é nosso, seus merda!!!
no outro dia. as pessoas desviavam dele no morro. abaixavam a cabeça. mostravam respeito. era rei. tinha conseguido. com apenas vinte anos. era o maior dos homens no morro. à noite foi até o bar do zé padoca. pediu uma cerveja. e contava piadas para os companheiros. quando ouviu um barulho. que pareciam tiros. levantou. olhou. e pediu para que se preparassem. ele iria ver o que estava acontecendo. desceu pelas vielas. como um fantasma. conhecia cada canto daqueles becos. de repente. em uma das esquinas. viu os alemão.
-Viados... catando meus laranja!
num salto para o lado. deu o primeiro tiro. e correu para outro canto.estavam em muitos. parecia um exército. e ele. o rei. sozinho.
-Ahhh seu merda- disse o traficante do morro vizinho- num treme não. tu vai morrer viado.
-errou. seu merda. quem vai morrer é você!- disse bolinha.
e num jingado de corpo. se virou e atirou. acertou a perna do inimigo. os outros meteram bala nele. tomou mais de quarenta tiros. morreu ali. com sua companheira inseparável Mariana. os alemão sumiram. e quando os homens de Bolinha chegaram. pegaram o corpo dele. carregaram até a porta de Maria e João. tocaram a campainha. já passava das onze. ficaram esperando alguém sair.
-Meu Deus...-levou as mãos na boca. e amoleceu as pernas. Maria não queria acreditar que era Marcelo. o bolinha.
-Desculpa. não pudemos evitar. aqui está mariana- disse de cabeça baixa o Grande.- ele morreu como herói do morro.
-filho. eu te falei tanto pra procurar um emprego.- segurou a cabeça dele. como se tentasse fazê-lo acordar- agora é assim que você chega em casa.
a dor da mãe era sofrida. sentia-se culpada. por não ter evitado. não ter feito ele estudar. e ser alguém. no fundo talvez soubesse. que a culpa nãe era dela. nem de João. que se mantinha firme naquela hora. mas do mundo. que algumas(muitas) vezes. se ausentou. fechou os olhos. assim como eles. que eram os pais. como ele poderia estudar. se mal tinha comida em casa. e como seria alguém. se lutara a vida inteira apenas para ser o rei do morro.

sábado, 13 de fevereiro de 2010


"O dia mente a cor da noite
E o diamante a cor dos olhos
Os olhos mentem dia e noite a dor da gente"(O teatro Mágico)



foi assim de repente que ele partiu. não disse pra onde ia. ou se ia voltar. mas ela esperou. os dias passaram. as noites vieram. e ela ainda o amava. perdoaria o impulso contraditório que ele teve no meio da semana. queria dizer que não se importava. também estava cansada de algumas coisas. a distância ainda doia nela. mas ia passar. mesmo que ela não quisesse se proteger em outros braços que não fossem o dele. mesmo que ela não quisesse conhecer outro cheiro que não fosse o dele. mesmo que ela não quisesse beijar outros lábios que não fossem os dele. mesmo que ele não a amasse mais.
queria entender o que não se explicava. o que ele não tinha dito. o que jamais compreenderia. será que ele cansou dela falar demais. ou cansou dela querer só ele. ou cansou dos planos do futuro que haviam feito. ou cansou do cheiro que ela tinha. ou cansou da vida correta e regrada que ela levava. ou apenas cansou-se de tudo isso.
ela tinha se dado de todo pra ele. que já nem sabia mais ser dela. era estranho sair nos mesmos lugares sem ele. parecia errado acordar e não pensar nele. por isso pensava. mesmo que não dissesse nada pra ninguém. não chorava mais. depois de sentir a dor mais forte que havia sentido na vida. aprendeu a se conter. guardava o amor por ele em segredo do mundo.

na verdade. a menina ainda atendia o telefone desejando que fosse ele. atendia a campanhia arrumada. pois podia ser ele. olhava nas caixas de correio pra ver se tinha cartas dele.

um dia se cansaria. e então o esqueceria. sabia que sinceramente não poderia esquecer dele. mas depois de algum tempo de dor. ela não mais iria esperar. a saudade continuaria apertando o peito.

Qualquer hora alguém ia amar ela. e isso seria suficiente.

Para B.

"Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer." (Martha Medeiros)

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Amo a liberdade,por isso deixo as coisas que amo livres. Se voltarem é porque as possuí, se não voltarem é porque nunca as tive...

John Lennon