quarta-feira, 8 de outubro de 2008

uma caixinha e outra história

Estava ali do lado. No canto mais escuro da sala.
continuava empoeirada. jogada. parecia meio aberta. talvez tivesse quebrado quando foi jogada. no último sábado de outono. ela não queria tocar naquela caixa de novo. talvez se não fosse vermelha. ou se não oferecesse tanto perigo. toda vez que era aberta. transformava qualquer idéia em verdade. e fazia com que a garota. se sentisse a dona daquelas verdades. como se fosse a única a possui-las. mas. haviam milhares de caixas vermelhas dessas por aí. levantou do sofá. foi olhar na janela. a rua estava vazia. como ela. sabia que era por causa da chuva. as pessoas se escondiam. como ela. ficavam protegidas. mas talvez não estivessem sozinhas. como ela. uns dias átras tinha recebido algumas visitas. o que sobrou. foram pratos sujos. copos quebrados. noites acordadas. e algumas risadas. que lhe fizeram tanto bem. era estranho estar ali. por ela. trocaria de país. naquele lugar aconteciam poucas coisas. queria ir pra um lugar maior. conhecer gente diferente. que vive em cabana. que mora no mato. e não tem animais de estimação. ouviu um barulho vindo do computador. era a caixa de e-mail. recebera uma mensagem dele. ahhh. ele fazia tanta falta. o cheiro. os braços. a cama. o papo. mas vivia tão longe. nunca podia vê-la. por isso ela se afastava. e ele não percebia. ela tinha medo de desejar demais. e ele não voltar. por isso aguardava. esperava. roía unhas. escrevia histórias. e ficava sozinha. cada frase que lia. sentia mais saudade. e gostava mais. depois de um tempo. pensava. e se afastava. não podia amar alguém que não era só dela. nem mesmo procurava por ela. era loucura. e apesar de muitas pessoas definirem amor assim. uma coisa louca. ela escolhia todo tempo. a lucidez. seria dele algumas noites. até ele ir embora de novo. e telefonar de vez em quando. então ela tomou uma decisão. teria outro. pertecenria a outro. e foi. seu novo companheiro era chamado solidão. esse que não partiria. esse que não a deixava. esse que ligava todos os dias. e a sucumbia todas as noites. esse que estava ali. e era de alguém assim que ela precisava. alguém que a tornasse prioridade. que a trouxesse segurança. mesmo que não lhe desse felicidade.

8 comentários:

Taynar disse...

Hum.. Prefiro felicidade à segurança! Já tive o segundo, e sem o primeiro, não é nada!

E obrigadaaaaaaa pelo comentário, moça, de verdade!!!
Beijos

Voodoo disse...

Mornig, linda jovem.

Parabéns pelo belo blog, você que
tão bem se identifica com as palavras.
Parabéns também pela qualidade dos
comments deixados nos outros blogs,
estou aqui vindo de Bandeiras.
Boa sorte,
bjs

Não Somos Apenas Rostinhos Bonitos disse...

Nossa, você é tão jovem, como sabe tanto da vida?

Guru Martins disse...

...sobre "Inspiração III ou IV"
um comentário desse,
vindo de alguém que
por essência é portadora
da vida é muuuuito mais
que um elogio...

Namastê e bj.

Camilla Tebet disse...

"ela escolhia todo tempo. a lucidez" Jaque Lima.
Então, a segurança e a felicidade. Como vc disse bem são tantas as caixinhas vermelhas por ai, e o bom é que a cada dia escolhemos abrir uma. Hoje escolhes a segurança da solidão.. amanhã... quem sabe a felicidade vem sozinha. Olha que ela vem hã....
Gostei muito de como descreveu a solidão. Elementos como chuva, pratos e copos sujos, sofá, mensagem de e mail deram o toque da solidão.
Um beijo

Flávia disse...

Hum... e o que é, afinal, que nos traz essa tal felicidade?

Beijos!

O Profeta disse...

Atravesso o céu em sonhos
Três aves do mar, três raios de sol, três punhais
Seguem-me apontados à solidão
Ah este vento que sopra nos brandais



Vem viver comigo uma história real…


Bom fim de semana




Doce beijo

BANDEIRAS disse...

Olá querida,
Vc deixou uma polêmica no ar:segurança, felicidade. O que escolher ? eu escolho os dois...mas será possível ? vai saber...
Agradecendo a visita , deixo-te aqui meu beijo e bom domingo.