quarta-feira, 20 de maio de 2009

Queria poder dizer pra ele o quanto eu me sentia desinteressante com todo aquele atraso. Nos viamos pouco e tinhamos tão pouco tempo. Mas nada que eu falasse faria com que ele dissesse que estava errado. Era eu a mimada e egocêntrica, não ele. É que pra mim não era sacríficio ouvir a voz dele por horas e sentir a mão quente dele sobre a minha na mesa de um bar qualquer. Esperava tanto, tinha noites mal dormidas pensando nele, fechava livros pela falta de concentração, deixava a TV no mudo pra poder ouvir o telefone tocar. Tudo bem, confesso: Eu quero ele só pra mim.

"Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso.
A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão.
(Caio Fernando Abreu)

Um comentário:

Enjembement disse...

Lindo, me identifico com essa história... bjo